terça-feira, 15 de novembro de 2016

NATURISMO E OS ANIMAIS







“Enquanto o homem continuar a ser o destruidor dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor” (Pythagoras).

O que o Naturismo tem a ver com os animais? Nada.....ou tudo?
Por diversas vezes tenho sido questionado sobre o consumo de carnes pelos naturistas, no entanto, Naturismo não tem nada a ver se o inivíduo é ou não carnívoro. A proposta é outra; A nudez social impulsiona a pensar e refletir sobre o corpo humano de uma forma diferente, com mais naturalidade e assim evitando a obsessão e proporcionando aceitação de si mesmo.
Aceitar a própria natureza implica autoconhecimento; isso é um problema não só para os naturistas, mas para todo ser humano. Tenho em minhas mãos artigos de médicos que afirmam a necessidade de consumo de carnes para a nossa espécie (1), e outros dizem que matamos sem necessidade, porque não sabemos nos alimentar adequadamente. Afinal de contas nosso corpo precisa ou não de consumir carnes? Não sou médico, sou um naturista na busca do autoconhecimento.
Até mesmo entre os protetores de animais não há consenso, a WSPA, uma organização mundial de proteção animal divide em grupos de: a) Domésticos; b) Trabalho; c) Produção e d) Silvestres. Essa divisão atesta a nossa dependência dos animais e as palavras bonitas de “Abate Humanitário” não me convence. Tudo bem que essa Organização tem realizado belíssimos trabalhos, mas o problema persiste.
Arthur Golgo Lucas diz que é biólogo, ecologista, carnívoro e a favor da caça desportiva. Mas qual o sentido da caça desportiva? Não faz sentido algum. Os argumentos são bons, no entanto, matar por esporte ou para competir não traz benefício nenhum, muito ao contrário.
Qual o problema? Ele diz que a ideia de “proteger os animais” através da proibição da caça desportiva violam tanto a LÓGICA da ciência quanto a LÓGICA econômica. O problema está justamente na LÓGICA. A vida não tem lógica, a morte não tem lógica, o amor também não. São mistérios. A lógica é matemática, é científica e assim a mente eficiente ganha, porque o mundo entende a linguagem da matemática, não do amor.
Por causa da lógica científica as atrocidades da vivissecção permanecem; se justifica. O texto “A Verdadeira Face da Experimentação Animal – Sua Saúde em Perigo” de Sergio Greif & Thales Trêz mostra o lado oposto, não há necessidade disso. Pelo mesmo motivo, homens e mulheres sempre estão em conflitos, um é racional (lógica) e o outro emocional, e assim sempre estão com dificuldades de se entenderem. Nos campos de concentração toda espécie de experimentos foram justificados pela lógica científica. Essa mesma ciência que não vê nenhum problema com os estudos de Kinsey (58.200 crianças raptadas para estudos sobre a pedofilia). A lógica fará o indivíduo cedo ou tarde se voltar contra a vida.
O Vegetarianismo é um sub-produto da meditação que não significa silêncio, nem concentração. Meditação é percepção de que tudo está interligado. Se o sol desaparecer, as árvores desaparecerão; se as árvores desaparecerem, os pássaros desaparecerão; se as árvores e os pássaros desaparecerem, você não poderá existir, desaparecerá também. Isso não é ecologia? Você toca na grama e terá tocado as estrelas. A existência é orgânica. É uma. É uma unidade. (2)
Os jainistas são vegetarianos há milhares de anos. Todos seus 24 mestres vieram da casta de guerreiros. Todos eles comiam carne; eles eram guerreiros profissionais. O que aconteceu com essas pessoas? A meditação transformou toda a visão delas, Não apenas suas espadas caíram de suas mãos juntamente com seu espírito guerreiro, mas um novo fenômeno começou a acontecer: um tremendo sentimento de amor para com a existência. Elas se tornaram absolutamente unas com o todo, e o Vegetarianismo é apenas uma pequena parte dessa grande revolução. O mesmo aconteceu com o Budismo. (3)
Não sabemos até que ponto o Naturismo pode ser associado com o modo de vida naturalista (alimentação sem carnes), é uma ponte ou mesmo um ponto de largada para essas reflexões, mas com certeza não é uma linha de chegada. A viagem é para dentro e não para fora porque temos ainda muito o que aprender sobre a natureza humana.
Mas de uma coisa é certa: Se o Naturismo defende como princípio a harmonia com a natureza, os hábitos alimentares também deverão ser questionados.


Evandro Telles






(1)  Os Mitos do Vegetarianismo, de Stephen Byrnes, ND, PhD;
(2)  A Música Mais Antiga do Universo, editora Verus, Osho;
(3)  Sobre o Vegetarianismo, palestra proferida por Osho







sexta-feira, 3 de junho de 2016

05 DE JUNHO 2016 - DIA INTERNACIONAL DO NATURISMO


Esse ano comemoramos no dia 05 de junho o Dia Internacional do Naturismo. Numa pesquisa mais detalhada das datas comemorativas no site http://www.calendarr.com/brasil/datas-comemorativas-2013/ não encontraremos nenhuma menção com relação a essa data. Iremos encontrar o dia do carteiro, aposentado e até dos animais, menos do Naturismo. Tenho a sugestão de trocar essa data para 30/01 que é o Dia da Não-Violência. Sim, porque desconheço um movimento mais pacífico; inclusive onde as guerras se instalam o Naturismo desaparece, ele só sobrevive num ambiente de paz, de fraternidade e de respeito.


O problema do Naturismo é a falta de conhecimento do que representa esse movimento, até mesmo os mais letrados e intelectuais não encontram informações nas suas bibliotecas, arrisco dizer que muitos praticantes também precisam de algumas aulas. A bem da verdade todos nós precisamos parar um pouco para aprender observar a natureza, o simples ato de meditar ajuda; a questão é: Como parar num mundo caótico e maluco em que vivemos? Observem como é grande o número de pessoas correndo para cima e para baixo e afirmo que não chegam a lugar algum, se tornou um hábito.

Algumas pessoas me dizem: “é preciso coragem para tirar as roupas”, o que demonstra como a sociedade condicionou o indivíduo a ficar distante da sua própria natureza. Alguns naturistas têm medo de se assumir diante dos seus familiares, buscam a liberdade, mas não a conquistam. Chega perto, mas não abre as portas do coração. Assim Budha fez a seguinte declaração: “Olhe para o seu coração, siga a sua natureza”. Isso sim que é preciso coragem, porque a liberdade conquistada não o fará pervertido, mas um ser humano mais responsável.

Excesso de bebidas e consumo de drogas não é uma questão de auto-controle, e sim da infelicidade que o ser humano carrega dentro de si. “Sigmund Freud, depois de quarenta anos de pesquisa sobre a mente humana, trabalhando com milhares de pessoas e observando milhares de mentes perturbadas, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção, o ser humano não pode ser feliz”. Se ele não pode ser feliz com a liberdade que o Naturismo pode lhe proporcionar, que é a liberdade mental, é porque não compreendeu a essência e a riqueza desse estilo de vida. Ainda não compreendeu que para se intitular como um naturista o pré-requisito não é somente com relação à nudez, mas também o respeito pelo espaço do outro.

Se o Naturismo coloca o homem integrado com a natureza, também o deixa não fragmentado, seu olhar para com o outro será como se visse no espelho. Os espaços individuais deverão ser constantemente respeitados e a vida se manifestaria harmoniosamente. E se tivermos a percepção que essas mudanças são realmente possíveis iríamos comemorar o dia o Naturismo junto com o Dia Mundial da Terra, o Dia Mundial da Água, Dia do Amigo, e muitos outros dias mais.

Vejo que podemos ser agentes de profundas transformações, assim sempre faço a sugestão aos grupos naturistas dedicarem uma pausa nas atividades para realizarem momentos de reflexão sobre o Naturismo em muitos dos seus contextos. Tenho a convicção de que tal prática aliada às realizações de palestras, apresentações teatrais, leituras e debates deveria constituir uma prática constante para o crescimento individual e grupal.

O Naturismo brasileiro ainda está de fraldas, todos nós podemos nos doar um pouco mais para que essa criança tenha dignidade. A própria sociedade irá requerer um dia para que o Naturismo seja lembrado do ser humano no seu estado natural, livre dos preconceitos e em paz com seus semelhantes.


Evandro Telles






sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A VOZ DO NATURISMO QUE NÃO CONSEGUE SER OUVIDA


Em 2009 quando lancei o livro “Verdades Que as Roupas Escondem” , na orelha da capa está assim escrito: “...que o Naturismo precisa ser analisado sob uma nova ótica e estudado à luz de novos valores sociais. Nesses novos valores incluímos a reintegração do homem como parte da natureza, que nunca foi tão destruída como está sendo nos últimos 50 anos. Tivemos essa postura por não nos vermos como parte da natureza.”

Atualmente estamos presenciando mais um desastre ecológico de grandes proporções e sem prazo para recuperar o Rio Doce, com extensão de 853 km que banha os estados de Minas e Espírito Santo, virou um mar de lama espalhando a morte por onde passa.  Segundo alguns biólogos, o que está visível é um problema pequeno diante da previsível quebra da cadeia alimentar.

O poema de Carlos Drummond de Andrade parecia prever o desastre com o “LIRA ITABIRANA”:
I
O Rio? É Doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga
II
Entre estatais
E Multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
 IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Só não é sem berro, há muito tempo que o Naturismo tem mostrado a importância da harmonia com a natureza com os corpos despidos de preconceitos, de valores não consumistas que redundam na exaustão dos recursos naturais. Indicadores  econômicos só encontram o lado positivo no crescimento do volume de produção e na produtividade do indivíduo. Conceitos e valores como esses começam a ser questionados se representam realmente desenvolvimento, uma vez que esses fatores são medidos em função do dinheiro e não da qualidade de vida da população e têm proporcionado catástrofes da magnitude que estamos presenciando.

Charles Eisenstein, um americano de 47 anos, formado em matemática e filosofia e autor de “Economia Sagrada” onde ele diz que olhamos para a natureza com um olhar de quem apenas vê um monte de coisas e que isso nos deixa muito solitários e com muitas necessidades básicas para satisfazer. Vale a pena ver o vídeo que está disponível na internet onde ele mostra o homem tentando dominar os outros e a natureza.

Eisenstein alerta agora, em 2015,  como somos separados da natureza e da comunidade. Sim, o que o Naturismo já vem propondo de uma forma muito mais simples desde 1903. Criamos uma cultura compromissada com a competição e não com a cooperação, obsessiva pela posse e domínio não só das riquezas naturais, mas também de outro ser humano. Estamos sentindo no próprio corpo as violências que cometemos contra a natureza, e há quanto tempo o Naturismo vem mostrando que somos a própria natureza consciente? Pode ser que seja utópico tentar reintegrar o homem à natureza, nua tal como ela é; pode ser uma voz não ouvida, mas não consigo deixar de expressá-la.

Olhando a figura no início desse texto penso: Será que a espécie humana terá algum dia paz por ter sido tão agressiva? Dúvida que irá permanecer ainda muito tempo.

“Quando olhei a terra ardendo, como uma fogueira de São João. Eu perguntei a Deus do céu, porque tamanha judiação?” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

 

Evandro Telles
27/11/15
               

            

terça-feira, 3 de novembro de 2015

HALLOWEEN E O NATURISMO


Halloween no Brasil é chamado de Dia das Bruxas e sua celebração acontece no dia 31 de Outubro. É uma festa cultural trazida pelos colonizadors ingleses à América. Escoceses e irlandeses adicionaram o bicho papão e as histórias de fantasmas ao folclore da data.
Particularmente divido a história do halloween em dois momentos; antes e depois de ter sido inventado as bruxas. Antes tinha um fundo religioso, tanto é que alguns estudiosos dizem que o nome é uma versão encurtada de “All Hallows Even” (Noite de Todos os Santos). Com o tempo as pessoas passaram a referir-se como “hallowe’en”, e mais tarde simplesmente “halloween”. As bruxas não são como as que conhecemos nos dias atuais, elas foram inventadas, elas eram consideradas mulheres experientes, inteligentes e conheciam alquimia. Na verdade elas eram um paralelo do místico (homem sábio), as bruxas eram respeitadas como mulheres sábias.
Por serem mulheres, constituía um perigo para o poder dominado por homens num sistema patriarcal. Como ressaltou o biólogo-antropólogo Ashley Montagu: “a fêmea, base biológica da vida, é o mais forte dos dois fatores necessários para criar vida, enquanto a variável masculina é mais frágil”. (The Natural Superiority of Women).
Mas como poderia ser diferente? Teríamos que ter a capacidade de entender que as energias e atitudes masculinas e femininas não são antagônicas e sim complementares, se fizermos uma associação de yin e yang (estrutura conceitual que se baseia na ideia de contínua flutuação cíclica, os dois polos que fixam os limites para os ciclos de mudanças) iremos observar que todos os fenômenos naturais são manifestações de uma contínua oscilação entre os dois. Polos arquetípicos que sustentam o ritmo fundamental do universo.
YIN
Feminino
Contrátil 
Conservador
Receptivo
Cooperativo
Intuitivo
Sintético

YANG
Masculino
Expansivo
Exigente
Agressivo
Competitivo
Racional
Analítico

É fácil observar pela lista acima, como a sociedade tem favorecido sistematicamente o yang em detrimento do yin.
No século IX cria-se a figura da bruxa como uma pessoa maléfica, demonizada, que teria que ser eliminada a qualquer custo. Assim, pessoas foram queimadas vivas, torturadas até que confessassem  sua culpa (por favor não leia somente, coloque-se no lugar delas), cujo pecado era de ser uma mulher, uma mulher inteligente. Uma histeria movida, em larga escala, por preconceito e puritanismo.

Não é difícil perceber que ainda se guarda resquícios na sociedade que ainda discrimina o corpo da mulher, mesmo sendo ela privilegiada biologicamente com que a natureza se manifesta de forma tão criativa, mesmo assim os ditames da indústria da moda consegue deixá-la inferiorizada. Para que a história não se repita, valores sociais terão que ser mudados, basta ver o número de agressões sofridas pelas mulheres, tema até mesmo da prova do ENEM.

Repetindo o que disse Fritjof Capra em seu livro “O Ponto de Mutação”: A Sociedade tem favorecido sistematicamente o yang em detrimento do ying. Essa ênfase, sustentada pelo sistema patriarcal e encorajada pelo predomínio da cultura sensualista durante os três últimos séculos, acarretou um profundo desequilíbrio cultural que está na própria raiz de nossa atual crise – um desequilíbrio em nossos pensamentos e sentimentos, em nossos valores e atitudes e em nossas estruturas sociais e políticas.

O NATURISMO, por ser um estilo de vida que não cabem preconceitos e nenhuma espécie de divisão, nem mesmo entre solteiros e casados em que algumas áreas insistem permanecer contra a própria filosofia nudista/naturista, pode colaborar com novos valores, só é preciso entender as implicações da nudez humana.

Num diálogo com um naturista transcorreu assim:
Ele: Não gosto de ver chegando homens solteiros, não me sinto bem. Nem eu mesmo gosto de vir desacompanhado;
Eu: Mas...
Ele: Sei – não deixando nem concluir a minha opinião – não está correto, mas é assim que me sinto.

Uma das implicações do Naturismo é que nos deixa exposto para nos auto-avaliarmos diante dos nossos próprios preconceitos, algo que temos por obrigação melhorar. Assim, o Halloween deve ser lembrado sempre, mesmo proveniente de outras culturas, que a história não poderá ser repetida.


Evandro Telles
03/11/15
               
           


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

VERGONHA DO CORPO PODE ESTAR DEIXANDO AS MULHERES FISICAMENTE DOENTES

The Huffington Post  |  De Rebecca Adams

Publicado: 28/08/2015 17:04 BRT Atualizado: 01/09/2015 10:45 BRT


Estudos acadêmicos podem ser fascinantes... e muito confusos. Decidimos tirar todos os jargões científicos e explicá-los para você.

O CENÁRIO

Com toda a pressão para as mulheres parecerem esticadas, magras e eternamente jovensa auto objetificação infelizmente é a regra nos dias de hoje. Os pesquisadores começam a acreditar que o auto julgamento não afeta só nosso estado mental – a vergonha do corpo pode nos deixar fisicamente doentes.
A ideia é que os padrões estritos de beleza – que contribuem para a vergonha do corpo – muitas vezes fazem as mulheres se sentirem mal a respeito de suas funções corporais (como menstruação e suor). Isso pode fazer as mulheres tentar esconder essas funções, o que por sua vez pode causar problemas de saúde.
Para investigar, a pesquisadora Jean Lamont, da Universidade Bucknell, realizou dois pequenos estudos.

A PREPARAÇÃO

No primeiro estudo, Lamont pediu que 177 estudantes universitárias respondessem um questionário com frases como  “Sinto vergonha quando tenho de usar tamanhos maiores de roupa”; “Tenho confiança de que meu corpo vai comunicar o que é bom para mim”; e “Sempre me sinto vulnerável a doenças”.
As participantes tinham de responder o quanto concordavam ou discordavam das afirmações. Lamont usou as respostas para medir a vergonha que cada participante tinha do próprio corpo, como elas respondiam ao corpo e como avaliavam sua própria saúde.
Depois, as mulheres relataram quantas infecções tiveram nos últimos cinco anos – como bronquite, pneumonia e candidíase – além de episódios de náusea, dor de cabeça e diarreia. Cada mulher também avaliou sua saúde numa escala de um a cinco.
Mas Lamont queria acompanhar os resultados num prazo mais longo, para garantir que eles não sofressem influência de depressão, cigarro ou índice de massa corporal (IMC).
Então ela fez uma versão longitudinal do estudo para controlar essas três variáveis. Nessa versão, ela pediu que 181 estudantes respondessem o mesmo questionário em dois pontos diferentes do semestre, uma vez em setembro e outra em dezembro (época em que há mais ocorrência de doenças infecciosas como gripe, bronquite etc., segundo o estudo).
OS RESULTADOS

Finalizados os dois estudos, Lamont descobriu que mulheres que tinham mais vergonha do corpo deram notas mais baixas para sua saúde e relataram mais infecções desde a adolescência. Os resultados se mantiveram no grupo controlado para depressão, cigarro e IMC.
Além disso, o segundo estudo mostrou que mulheres com mais vergonha do corpo tiveram mais infecções entre o primeiro e o segundo questionário. Isso sugere que a vergonha do corpo relatada pelas mulheres em setembro pode ter contribuído para infecções reportadas em dezembro.
Por que isso acontece? Lamont sugere a seguinte correlação: a vergonha do corpo indica má saúde, porque esse sentimento pode levar as mulheres a prestar menos atenção aos sinais do corpo e a avaliar incorretamente o estado de saúde.
A CONCLUSÃO

O estudo levanta a questão: se tantas mulheres se sentem mal com seus corpos, qual é o real impacto disso na saúde? Isso é algo que ainda não se sabe – a escala do estudo foi muito pequena, e os resultados têm limitações, pois Lamont dependia dos sujeitos do estudo para obter os históricos de saúde (um problema conhecido nesse tipo de pesquisa).
Ainda assim, os estudos sugerem que estar de mal com o corpo pode potencialmente prejudicar a saúde física, além de oferecer insights sobre o porquê dessa relação.
De qualquer modo, que esse estudo seja mais um motivo para amar o próprio corpo. Sentir-se culpada por um pedaço de chocolate, ou se penitenciar porque você não é parecida com celebridades ou modelos photoshopadas pode ter consequências muito mais graves além do mau humor.

sábado, 11 de julho de 2015

NATURISMO - UM OLHAR HOLÍSTICO















Não existe imoralidade no corpo humano, já dizia a Luz Del Fuego (1). Imoralidade são as guerras, a fome, a miséria, o desemprego, os preconceitos, a violência; e essas coisas se tornaram banais nos meios de comunicação, mas para o corpo é preciso até de leis para que a mulher possa amamentar.






Amamentação em público garantida em Vitória

A Câmara de Vitória aprovou, na última quinta-feira (02/07/15), o Projeto de Lei nº 63/2015, de autoria do vereador Luiz Emanuel, que dispõe sobre o direito ao aleitamento materno. A proposta visa garantir que toda mulher possa amamentar seu bebê sem sofrer qualquer constrangimento. Quem cercear o ato de amamentação em um estabelecimento, seja público ou privado, por exemplo, está sujeito à multa de até R$ 500. O projeto agora segue para sansão do Prefeito Luciano Rezende.
São muitos os relatos de mulheres no Brasil e em diversos lugares do mundo que já sofreram algum tipo de discriminação ou reprimenda ao amamentar em público. “Asseguramos que em Vitória essa discriminação não ocorrerá, pois o direito à alimentação, previsto no terceiro artigo do Estatuto da Criança e de Adolescente, será garantido quanto à amamentação”, disse o vereador. (1)
 O Naturismo, enquanto uma filosofia que defende a harmonia e um olhar com naturalidade para o corpo, não consegue se fazer entender à grande massa de pessoas, nem mesmo encontra um incentivo para divulgação dos trabalhos editados em livros. Basta ver quais os assuntos permitidos para se ter o direito ao enquadramento nos projetos culturais amparados por lei. Digo, sem nenhuma vaidade, tudo o que escrevi tive que me inteirar de diversos assuntos ligados à Medicina, Antropologia, Psicologia, Sociologia, Física, Artes, Poesia, Política, Religião e até mesmo de Cosmologia. Como disse Heisenberg, físico alemão que recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1932 pela criação da mecânica quântica: “não podemos nunca falar sobre a natureza sem falar ao mesmo tempo sobre nós mesmos”.

Até aqui a ciência tem fragmentado tudo para que possa entender a natureza. Tal atitude tem permitido a forma desumana da vivissecção, o que chamamos de modelo reducionista. O desenvolvimento da medicina se deu por meio desse modelo e hoje os médicos acham-se incapazes de entender, ou de curar, muitas das mais importantes doenças atuais. Há um consenso crescente entre eles de que muitos dos problemas com que nosso sistema médico se defronta provêm do modelo reducionista do organismo humano em que esse sistema se baseia. (2)

Os físicos com seus minuciosos estudos dos átomos têm encontrado uma rede de interdependência e conexões. A Física Newtoniana torna-se inadequada e os conceitos desenvolvidos não mais se aplicam. Uma nova percepção da vida e novos valores serão necessários para que possamos entender a unicidade da natureza na qual o corpo é parte dela e ao mesmo tempo é a própria manifestação dela. A linguagem se perde; como a parte pode entender o todo? Conceitos não se aplicam na natureza e ela não dá a mínima importância ao que o indivíduo pensa porque ela atinge todo o ser humano, sem nenhuma distinção.

Essa forma holística de pensar e sentir o corpo há muito tempo que o Naturismo já defende mesmo sem nenhum fundamento científico, somente pelas próprias experiências. Chega um momento em que é preciso deixar de lado a lógica e a racionalidade para ouvir apenas a natureza. (3)


Evandro Telles
11/07/15

(1)   Dora Vivácqua (Luz Del Fuego) em A Verdade Nua;
(2)   Comunicado por email do Vereador da cidade de Vitória;
(3)   Fritjof Capra em O Ponto de Mutação;

(4)   Osho em O Livro das Mulheres.

terça-feira, 2 de junho de 2015

28 DE JUNHO 2015 - DIA INTERNACIONAL DO NATURISMO

DIA INTERNACIONAL DO NATURISMO



Esse ano comemoramos no dia 28 de junho o Dia Internacional do Naturismo. Numa pesquisa mais detalhada das datas comemorativas no site http://www.calendarr.com/brasil/datas-comemorativas-2013/ não encontraremos nenhuma menção com relação a essa data. Iremos encontrar o dia do carteiro, aposentado e até dos animais, menos do Naturismo. Tenho a sugestão de trocar essa data para 30/01 que é o Dia da Não-Violência. Sim, porque desconheço um movimento mais pacífico; inclusive onde as guerras se instalam o Naturismo desaparece, ele só sobrevive num ambiente de paz, de fraternidade e de respeito.

O problema do Naturismo é a falta de conhecimento do que representa esse movimento, até mesmo os mais letrados e intelectuais não encontram informações nas suas bibliotecas, arrisco dizer que muitos praticantes também precisam de algumas aulas. A bem da verdade todos nós precisamos parar um pouco para aprender observar a natureza, o simples ato de meditar ajuda; a questão é: Como parar num mundo caótico e maluco em que vivemos? Observem como é grande o número de pessoas correndo para cima e para baixo e afirmo que não chegam a lugar algum, se tornou um hábito.

Algumas pessoas me dizem: “é preciso coragem para tirar as roupas”, o que demonstra como a sociedade condicionou o indivíduo a ficar distante da sua própria natureza. Alguns naturistas têm medo de se assumir diante dos seus familiares, buscam a liberdade, mas não a conquistam. Chega perto, mas não abre as portas do coração. Assim Budha fez a seguinte declaração: “Olhe para o seu coração, siga a sua natureza”. Isso sim que é preciso coragem, porque a liberdade conquistada não o fará pervertido, mas um ser humano mais responsável.

Excesso de bebidas e consumo de drogas não é uma questão de auto-controle, e sim da infelicidade que o ser humano carrega dentro de si. “Sigmund Freud, depois de quarenta anos de pesquisa sobre a mente humana, trabalhando com milhares de pessoas e observando milhares de mentes perturbadas, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção, o ser humano não pode ser feliz”. Se ele não pode ser feliz com a liberdade que o Naturismo pode lhe proporcionar, que é a liberdade mental, é porque não compreendeu a essência e a riqueza desse estilo de vida. Ainda não compreendeu que para se intitular como um naturista o pré-requisito não é somente com relação à nudez, mas também o respeito pelo espaço do outro.

Se o Naturismo coloca o homem integrado com a natureza, também o deixa não fragmentado, seu olhar para com o outro será como se visse no espelho. Os espaços individuais deverão ser constantemente respeitados e a vida se manifestaria harmoniosamente. E se tivermos a percepção que essas mudanças são realmente possíveis iríamos comemorar o dia o Naturismo junto com o Dia Mundial da Terra, o Dia Mundial da Água, Dia do Amigo, e muitos outros dias mais.

Vejo que podemos ser agentes de profundas transformações, assim sempre faço a sugestão aos grupos naturistas dedicarem uma pausa nas atividades para realizarem momentos de reflexão sobre o Naturismo em muitos dos seus contextos. Tenho a convicção de que tal prática aliada às realizações de palestras, apresentações teatrais, leituras e debates deveria constituir uma prática constante para o crescimento individual e grupal.

O Naturismo brasileiro ainda está de fraldas, todos nós podemos nos doar um pouco mais para que essa criança tenha dignidade. A própria sociedade irá requerer um dia para que o Naturismo seja lembrado do ser humano no seu estado natural, livre dos preconceitos e em paz com seus semelhantes.


Evandro Telles
20/05/13 – original
02/06/15 - revisado