sábado, 29 de abril de 2017

A SIMPLICIDADE DO NATURISMO



O Naturismo é tão simples que chega a se tornar muito complicado para muitas pessoas, isso porque o ego rejeita o fácil, quer sempre o mais difícil. Até mesmo os problemas devem ser maiores do que os dos outros, alguma coisa é preciso para ser maior e melhor. É assim que começa toda a forma de competição e domínio, mas também um dos mais preocupantes desequilíbrios psicológicos. O indivíduo que se sente inferiorizado diante dos outros quando galga posições de comando, tendem a ser autoritários e ditatoriais.

Se considerarmos a psicologia humana, esse texto será insuficiente para contemplar maiores detalhes sobre a nossa natureza. Tento aqui mostrar o papel relevante e a simplicidade da prática do Naturismo como agente que neutraliza a inferioridade individual. Por outro lado, mexe com as mais diversas estruturas pessoais, será necessário repensar em muitos valores que foram assumidos como verdadeiros, sejam de ordem pessoal ou social.

O homem é um processo constante. Alguma coisa está sempre acontecendo, está sempre a beira do acontecimento. O homem é uma excitação, uma aventura, uma peregrinação. (1)  Não sabe quem ele é, está sempre buscando. Para a prática do Nudismo/Naturismo ele questiona a religião, sua conduta dentro do seu conceito moral e até a ciência têm que atestar as suas crenças. Exemplo disso foi a visita em nosso país do cientista Michael Behe defendendo a teoria do “Designer Inteligente” que diz: Se há o relógio deve haver o relojoeiro. Ficou pior, quem criou o relojoeiro? O próprio Darwin já tinha virado a mesa e feito uma derrubada devastadora dessa teoria. (2)

Não seria mais fácil dizer que não sabemos e continuar a busca? A beleza e o encanto estão justamente na simplicidade e na humildade de reconhecer o que não sabemos. O homem não é um produto acabado, ele é um ser aberto. Tudo é possível, mas nada é certo, não pode ter definição (1). Não é a certeza o que importa, é justamente a dúvida que nos move para aprender novos caminhos, são os nossos questionamentos que nos torna mais humanos.

Viver naturalmente implica em abandonar as roupagens que a sociedade nos coloca, os preconceitos e a inferioridade não podem coexistirem no meio onde os indivíduos possuem mentes livres, nenhum regime político autoritário poderia conviver com o Naturismo. Não deveríamos defender esse estilo de vida em todos os segmentos sociais?

É possível que o problema maior seja a nudez, será? O grupo o qual freqüento permite que o visitante passe um dia mesmo vestido e nunca tivemos algum que se propusesse a vir para conhecer o que representa o Naturismo, está faltando na praça o tipo que questiona e sobrando os meros repetidores. Sobra informação falta conhecimento, muitos em seus celulares e internet com mentes dispersas a tudo que lhes rodeia. “Conhecimento numa mente dispersa é como uma semente infértil” (3).

Isso é preocupante na medida em que os nossos jovens poderão ser facilmente dominados por um discurso bonito, mas não terão a percepção da tirania que terá por trás dele. O distanciamento da leitura, a massificação do intelecto sem os devidos questionamentos e a falta de um contato mais íntimo com a natureza, tem provocado distanciamento do jovem com o Naturismo cuja filosofia defende o respeito e a dignidade do corpo. Provavelmente a culpa seja nossa... Seria bom pensarmos seriamente nisso.

Dr Gerald Crabtree da Universidade de Stanford (EUA) mostra em sua teoria que os humanos estão perdendo sua capacidade intelectual e emocional (4), não estamos formando jovens questionadores que induz ao pensamento crítico e pressione a evolução dos genes. Uma mente livre não pode ser dominada por algo que a maioria acredita ser uma verdade, não é isso que nos tornará melhores e sim a nossa atitude de respeito com as nossas diferenças naturais. Justamente isso é o que o Naturismo defende e tão difícil de entender com a sua simplicidade.

Evandro Telles
29/04/17

(1)   Osho – The Perfect Máster – discurso nº 10
(2)   Richard Dawkins
(3)   Augusto Cury – O Colecionador de Lágrimas


domingo, 19 de março de 2017

PARA QUE DEFINIR NUDISMO/NATURISMO?






A maioria das entrevistas em que participei, uma das primeiras perguntas é: O que é Nudismo/Naturismo? Só me resta repetir o que é de consenso “Um modo de vida em harmonia com a natureza....”. Tudo bem, e o que é natureza? Nada podemos dizer. Isso acontece porque o ser humano está inserido na natureza e ele não pode se auto definir. Por esse motivo William Welby em 1935 no seu livro “A Verdade Nua Sobre o Nudismo” diz que “embora o Nudismo tenha recebido uma boa publicidade, é difícil defini-lo da mesma forma que o Socialismo ou outros “ismos”.

José Wagner de Oliveira (João Pessoa-PB) uma vez me disse que Nudismo/Naturismo é uma ciência, realmente é, uma ciência biológica. Como também é uma vivência, um comportamento. A universalidade da ciência também se aplica ao Nudismo/Naturismo e como o corpo no nível científico não cabe diferenças, a vivência Naturista também não pode haver separatismos de qualquer espécie tipo: homens solteiros e casados, heterossexuais e homossexuais, crenças religiosas, e por aí vai. Isso representa valores que a sociedade determina como reais e não são.

No XV Congresso Brasileiro de Naturismo realizado em Guarapari nos dias 03 a 05 de fevereiro de 2017, foram eleitos o Presidente e Vice Presidente para dirigir a FBrN Federação Brasileira de Naturismo dois homens solteiros, Pedro Ribeiro e Leonardo Spínola de Miranda respectivamente. Isso reflete que o Naturismo nesse país está amadurecendo já que algumas áreas ainda só permitem homens acompanhados. Acho que agora terão que rever tal procedimento e reconhecer que se trata puramente de um preconceito sem nenhum fundamento e totalmente em desacordo com a filosofia naturista.

O Nudismo surgiu em primeiro lugar como um meio de adquirir saúde, novamente William Welby faz a comparação da pele com as plantas, ambas necessitam de luz e ar, se deixarmos as plantas em lugares escuros sem ventilação podemos observar os efeitos lastimáveis que acontece com elas. A ciência moderna descobriu que a pele tem funções bem mais importantes, extensivamente exploradas no livro “Tocar – O Significado Humano da Pele” de autoria de Ashley Montagu. Os benefícios da pele exposta não estão restritos à saúde do corpo, mas também tem efeito benéfico do lado psicológico; o sentimento de liberdade, inerente à nossa natureza, melhoria na auto estima são também resgatados.

Em 18/10/2012 escrevi o artigo “Naturismo Não é Um Conceito Definido” que está no 3º livro “Naturismo Um Corpo Não Fragmentado pág. 104 já tinha dito que tudo que diz respeito ao comportamento humano não pode ser definido, então não perca tempo com isso, tempo precioso para refletirmos sobre nós mesmos, meros turistas às vezes esquecendo de apreciar a viagem.

Refletir sobre o Nudismo/Naturismo é um caso de amor, amor com a Natureza. Por falar em “amor” isso também não pode ser definido, então qual objetivo de buscar definições? O importante é viver intensamente.

Evandro Telles
07/02/2017    
 



quarta-feira, 8 de março de 2017

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (Numa perspectiva Naturista)





“Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador”.
(Fernando Veríssimo)

Seria cômica, se não fosse trágica, a assertiva bastante apropriada de Fernando Veríssimo acima descrita. Sem dúvida alguns avanços foram conseguidos na luta para emancipação da mulher, por outro lado, teve e ainda tem um preço alto a considerar.

A mulher nos dias atuais cuida da sua casa, da família, do trabalho (direito também conquistado com muito suor e lágrima) e de si mesma. Pronta no horário para deixar e pegar o seu filho na escola, ir ao supermercado e não podemos esquecer do Shopping. O resultado não poderia ser outro, estresse. Ah! Sim, a gente pede que elas arrumem um tempinho para leitura de um bom livro também. Só pode ser uma piada de muito mal gosto!

O jornal “A Gazeta” do dia 07/03/10, um dia antes da comemoração do Dia Internacional da Mulher, Elaine Vieira publica sua reportagem com o título “Quer fazer a sua mulher mais feliz? Dê tempo pra ela!”, mostrando claramente que a falta de tempo prejudica até o sono delas. Podemos então, questionar os seus limites e se as conquistas foram até agora libertadoras ou se na realidade afirmamos o machismo (que não deu certo nem nas administrações das empresas) e um sistema econômico que ficou privilegiado por reduzir seus gastos com a folha de pagamento.

As mulheres brasileiras recebem, em média, salários 34% inferiores aos dos homens, a maior diferença registrada entre os 20 países pesquisados para um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Confederação Sindical Internacional (CSI), com sede em Bruxelas. O Brasil ocupa pior colocação em ranking de diferenças salariais entre os sexos.

Fazendo uma pesquisa minuciosa na internet, a maioria cita o direito a voto e ao trabalho como conquistas, não deixa de ser verdade, mas, o direito de ser tratada em iguais condições ainda não foi conquistado. A liberdade de expressão dos seus instintos deixa de existir, fica escondida nos valores ditados por normas sociais que preconizam a mulher como a mais bela da criação, mas não as deixam livres. Sabemos, biologicamente falando, que os prazeres sexuais tanto do homem quanto da mulher são neurológicos, portanto, naturais, não existem motivos para o separatismo.

Divisões estas que chegamos ao disparate de classificar carros para uso feminino e outros para masculino, sem falar em perfumes, e tantos outros produtos colocados à venda. Interessa a quem essas divisões sem fundamento científico algum? Somente para finalidades mercantis. É interessante separar o corpo da mulher para ser vendida em forma de revistas pornográficas, filmes e moda. Já dizia Luz del Fuego: “O mundo tem sido o grande palco da hipocrisia...”

A percepção desse jogo não é para todas as pessoas, é preciso mente e corpo livres. É necessário entender que é no conjunto (macho e fêmea) que faz a vida se manifestar naturalmente. Numa carta-depoimento da Prof.ª Sonia Maria Braucks Rodrigues ao Paulo Pereira em seu livro “Corpos Nus” ela diz: “Assim, o homem tem duas atitudes equivocadas em relação ao seu próprio corpo: vestiu-o e despiu-o em nome de culturas não-naturistas. Tanto a roupa como a nudez como atitudes não-naturais, servindo do propósito do consumo voraz”.

As roupas sempre esconderam o que era para ser visto como natural, ficamos reféns dos valores sociais que ditam as regras e não nos deixam ver que o corpo humano, na realidade, é o templo da alma. Passamos a ter um culto obsessivo ao corpo que o tempo, com certeza, irá nos frustrar e trará sérios danos à saúde físico-mental. Allan Kardec já tinha feito a seguinte observação: “Apegando às aparências, o Homem não distingue a vida além do próprio corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado o corpo, tudo se lhe afigura perdido, desesperador.”

O equilíbrio entre mulheres e homens nas áreas naturistas sempre é bem vindo, não necessariamente uma pré-condição. Os homens foram beneficiados com a sua liberdade desde cedo, ainda bebê, enquanto as mulheres estão ainda adquirindo seus espaços. Com muita dificuldade tentam vencer seus bloqueios pessoais que lhe foram impostos todo esse tempo, não existe felicidade onde não há liberdade. Na verdade, o naturismo não é somente processo de regressão ao passado (dos irmãos aborígines), mas também é uma evidência de progresso.

No naturismo a mulher é colocada numa condição nobre e igualitária, não há porque ser diferente. No entanto, a sua resistência tem demonstrado ser maior do que a dos homens. Acredito que, por pressões sociais e familiares, se preocupam com conceito de moral. A nudez humana não tem nada de imoral, simplesmente é natural. É bom que busquem informações de fontes confiáveis do que representa esse movimento no mundo. É uma questão de conscientização que infelizmente ou felizmente é preciso ler e sair da ignorância.

Tenho em minhas mãos, depoimentos de pessoas que viveram e tiveram experiências com os índios por longo tempo. Estes nunca viram agressões às suas crianças, e estão nus. Enquanto não são poucos os casos que são observados em nossa sociedade, dita moralista, dos abusos sexuais as quais tem sido as nossas infringidas. Eu pergunto: Que tipo de educação tem sido dada às nossas crianças que valorizam mais as roupas do que seu próprio corpo? Quanta doença!!!

Estamos comemorando mais uma vez o Dia Internacional da Mulher, as futuras gerações estão em suas mãos. Então que sejam de mãos generosas e de mentes livres para que tenhamos menos agressões e mais amor. Que a liberdade consciente e de respeito seja, não somente para as mulheres, mas um objetivo a ser alcançado de todas as nações. Que homens e mulheres possam entender que, unidos representam melhor a imagem de Deus.


Evandro Telles
07/03/10



Esse artigo foi escrito no ano de 2010 e no ano de 2016 “O Globo” publicou em:
BRASÍLIA - As disparidades salariais entre gêneros persistem como um obstáculo para o empoderamento econômico das mulheres e a superação da pobreza e a desigualdade na América Latina, advertiu nesta terça-feira a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a respeito do Dia Internacional da Mulher.
Embora a diferença salarial entre homens e mulheres tenha diminuído 12,1 pontos percentuais entre 1990 e 2014, as mulheres recebem, em média, apenas 83,9 unidades monetárias por 100 unidades monetárias recebidas pelos homens, de acordo com a CEPAL. Se a remuneração recebida por ambos os sexos por anos de estudo é comparada, observa-se que elas podem ganhar até 25,6% menos do que seus colegas do sexo masculino em condições semelhantes, disse que o instituto regional.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

XV CONGRENAT - PARA SEMPRE SER LEMBRADO



 A Cada dois anos é realizado o Congresso Brasileiro de Naturismo, quando também são tomadas decisões importantes para o desenvolvimento do Naturismo no Brasil. Nesse ano, o XV Congrenat realizado em Guarapari deixou sua marca na história, que para muitos dos participantes tornará inesquecível.
Norberto Gilberti Simonetti publicou no facebook 4 lições aprendidas por ele:  


Um Congresso que propiciou a todos os seus integrantes voltarem com a mala mais cheia, mas não se trata de objetos que muitos foram sorteados, e sim de conhecimento e de demonstração do verdadeiro Naturismo, alegre, divertido e ao mesmo tempo mostrando que o Naturismo pode ser a mudança que desejamos ver para o mundo; integrado, harmônico, benéfico para o corpo físico e o psíquico e de união. Não cabe nenhum tipo de separatismo.

Em 21/05/2011 escrevi uma mensagem ao Grupo Naturismo Capixaba com o título “Desenvolvendo a Percepção” publicada no livro “Naturismo – Um Corpo Não Fragmentado”, página 285 e disse que a Percepção é algo que não se ensina, cada um de nós devemos procurar desenvolver pessoalmente. Para minha surpresa, muitos depoimentos que recebi mostrou naturistas mais perceptivos e conscientes que a cada momento valorizava o trabalho e o esforço do Presidente do Grupo Naturismo Capixaba, Leonardo Spínola de Miranda, dedicado para realização desse evento.

Na oportunidade foi comemorado o Centenário de Dora Vivacqua, a Luz Del Fuego, a capixaba precursora do Naturismo Brasileiro. Foi lembrada na forma de pintura, escrita, filme e teatro. Quase todos os detalhes foram descritos num newsletter divulgado por Maria Luzia de Almeida e o Leonardo Spínola. No entanto, um detalhe passou despercebido por eles, mas não por mim. Presenciei jovens sentadas fazendo leitura de livros, pessoas interessadas no conhecimento e não somente na diversão, seus celulares foram esquecidos (pelo menos deixados um pouco de lado). Outros ainda fizeram questão de pagar por livros que eu os estava presenteando, não aceitaram por querer valorizar o trabalho do autor.

No aeroporto encontrei um casal que estavam vindo para o Naturismo pela primeira vez e percebi isso no olhar assustado da esposa, cuidei logo de dar a ela tranquilidade dizendo que o Grupo Naturismo Capixaba nunca exigiu que ninguém tirasse as roupas, sempre esperamos o momento de cada um. Penso que a fez relaxar um pouco, quando os encontrei novamente estavam totalmente integrados e livres de suas vestes. Na saída fizeram questão e vir me agradecer; nada fiz a não ser compreender as dificuldades psicológicas do casal. Será que posso me considerar padrinho deles no Naturismo?

Foi providencial o segundo quadro pintado pela artista Pâmela Reis, uma imagem que coloquei no artigo “A Semente do Naturismo”. Uma pessoa nua dentro de uma semente. Ao sortear o quadro expliquei que todos carregam o potencial para ser naturista, mas nem toda semente floresce. Justamente nesse Congrenat cuja participação dos jovens também foi marcante, até mesmo com as crianças que se sentiam muito tranquilas com a nudez deles e dos outros.

Uma nova diretoria foi formada com muito trabalho para realizar. Durante a minha breve apresentação fiz questão de mostrar que a Federação Brasileira de Naturismo terá o desafio de agregar a outros movimentos sociais. A implicação dessa nova postura requer a valorização dos naturistas à instituição que os representam e que tenhamos conhecimentos suficientes para tirar aqueles risos sarcásticos daqueles que nada sabe sobre o Naturismo, no seu lugar um pouco de inveja por termos a coragem de sentirmos orgulhosos por ser Naturista.

Esse Congrenat mostrou a possibilidade de profundas modificações nas Associações filiadas à FBrN, como também na potencialidade dos naturistas que agora estão chegando. Estamos distantes ainda, muitos assuntos delicados terão que ser tocados, analisados à luz dos valores naturais para conquistar o que sempre buscamos: A PAZ E A UNIÃO DOS POVOS.

Evandro Telles
15/02/2017

    









terça-feira, 15 de novembro de 2016

NATURISMO E OS ANIMAIS







“Enquanto o homem continuar a ser o destruidor dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor” (Pythagoras).

O que o Naturismo tem a ver com os animais? Nada.....ou tudo?
Por diversas vezes tenho sido questionado sobre o consumo de carnes pelos naturistas, no entanto, Naturismo não tem nada a ver se o inivíduo é ou não carnívoro. A proposta é outra; A nudez social impulsiona a pensar e refletir sobre o corpo humano de uma forma diferente, com mais naturalidade e assim evitando a obsessão e proporcionando aceitação de si mesmo.
Aceitar a própria natureza implica autoconhecimento; isso é um problema não só para os naturistas, mas para todo ser humano. Tenho em minhas mãos artigos de médicos que afirmam a necessidade de consumo de carnes para a nossa espécie (1), e outros dizem que matamos sem necessidade, porque não sabemos nos alimentar adequadamente. Afinal de contas nosso corpo precisa ou não de consumir carnes? Não sou médico, sou um naturista na busca do autoconhecimento.
Até mesmo entre os protetores de animais não há consenso, a WSPA, uma organização mundial de proteção animal divide em grupos de: a) Domésticos; b) Trabalho; c) Produção e d) Silvestres. Essa divisão atesta a nossa dependência dos animais e as palavras bonitas de “Abate Humanitário” não me convence. Tudo bem que essa Organização tem realizado belíssimos trabalhos, mas o problema persiste.
Arthur Golgo Lucas diz que é biólogo, ecologista, carnívoro e a favor da caça desportiva. Mas qual o sentido da caça desportiva? Não faz sentido algum. Os argumentos são bons, no entanto, matar por esporte ou para competir não traz benefício nenhum, muito ao contrário.
Qual o problema? Ele diz que a ideia de “proteger os animais” através da proibição da caça desportiva violam tanto a LÓGICA da ciência quanto a LÓGICA econômica. O problema está justamente na LÓGICA. A vida não tem lógica, a morte não tem lógica, o amor também não. São mistérios. A lógica é matemática, é científica e assim a mente eficiente ganha, porque o mundo entende a linguagem da matemática, não do amor.
Por causa da lógica científica as atrocidades da vivissecção permanecem; se justifica. O texto “A Verdadeira Face da Experimentação Animal – Sua Saúde em Perigo” de Sergio Greif & Thales Trêz mostra o lado oposto, não há necessidade disso. Pelo mesmo motivo, homens e mulheres sempre estão em conflitos, um é racional (lógica) e o outro emocional, e assim sempre estão com dificuldades de se entenderem. Nos campos de concentração toda espécie de experimentos foram justificados pela lógica científica. Essa mesma ciência que não vê nenhum problema com os estudos de Kinsey (58.200 crianças raptadas para estudos sobre a pedofilia). A lógica fará o indivíduo cedo ou tarde se voltar contra a vida.
O Vegetarianismo é um sub-produto da meditação que não significa silêncio, nem concentração. Meditação é percepção de que tudo está interligado. Se o sol desaparecer, as árvores desaparecerão; se as árvores desaparecerem, os pássaros desaparecerão; se as árvores e os pássaros desaparecerem, você não poderá existir, desaparecerá também. Isso não é ecologia? Você toca na grama e terá tocado as estrelas. A existência é orgânica. É uma. É uma unidade. (2)
Os jainistas são vegetarianos há milhares de anos. Todos seus 24 mestres vieram da casta de guerreiros. Todos eles comiam carne; eles eram guerreiros profissionais. O que aconteceu com essas pessoas? A meditação transformou toda a visão delas, Não apenas suas espadas caíram de suas mãos juntamente com seu espírito guerreiro, mas um novo fenômeno começou a acontecer: um tremendo sentimento de amor para com a existência. Elas se tornaram absolutamente unas com o todo, e o Vegetarianismo é apenas uma pequena parte dessa grande revolução. O mesmo aconteceu com o Budismo. (3)
Não sabemos até que ponto o Naturismo pode ser associado com o modo de vida naturalista (alimentação sem carnes), é uma ponte ou mesmo um ponto de largada para essas reflexões, mas com certeza não é uma linha de chegada. A viagem é para dentro e não para fora porque temos ainda muito o que aprender sobre a natureza humana.
Mas de uma coisa é certa: Se o Naturismo defende como princípio a harmonia com a natureza, os hábitos alimentares também deverão ser questionados.


Evandro Telles






(1)  Os Mitos do Vegetarianismo, de Stephen Byrnes, ND, PhD;
(2)  A Música Mais Antiga do Universo, editora Verus, Osho;
(3)  Sobre o Vegetarianismo, palestra proferida por Osho







sexta-feira, 3 de junho de 2016

05 DE JUNHO 2016 - DIA INTERNACIONAL DO NATURISMO


Esse ano comemoramos no dia 05 de junho o Dia Internacional do Naturismo. Numa pesquisa mais detalhada das datas comemorativas no site http://www.calendarr.com/brasil/datas-comemorativas-2013/ não encontraremos nenhuma menção com relação a essa data. Iremos encontrar o dia do carteiro, aposentado e até dos animais, menos do Naturismo. Tenho a sugestão de trocar essa data para 30/01 que é o Dia da Não-Violência. Sim, porque desconheço um movimento mais pacífico; inclusive onde as guerras se instalam o Naturismo desaparece, ele só sobrevive num ambiente de paz, de fraternidade e de respeito.


O problema do Naturismo é a falta de conhecimento do que representa esse movimento, até mesmo os mais letrados e intelectuais não encontram informações nas suas bibliotecas, arrisco dizer que muitos praticantes também precisam de algumas aulas. A bem da verdade todos nós precisamos parar um pouco para aprender observar a natureza, o simples ato de meditar ajuda; a questão é: Como parar num mundo caótico e maluco em que vivemos? Observem como é grande o número de pessoas correndo para cima e para baixo e afirmo que não chegam a lugar algum, se tornou um hábito.

Algumas pessoas me dizem: “é preciso coragem para tirar as roupas”, o que demonstra como a sociedade condicionou o indivíduo a ficar distante da sua própria natureza. Alguns naturistas têm medo de se assumir diante dos seus familiares, buscam a liberdade, mas não a conquistam. Chega perto, mas não abre as portas do coração. Assim Budha fez a seguinte declaração: “Olhe para o seu coração, siga a sua natureza”. Isso sim que é preciso coragem, porque a liberdade conquistada não o fará pervertido, mas um ser humano mais responsável.

Excesso de bebidas e consumo de drogas não é uma questão de auto-controle, e sim da infelicidade que o ser humano carrega dentro de si. “Sigmund Freud, depois de quarenta anos de pesquisa sobre a mente humana, trabalhando com milhares de pessoas e observando milhares de mentes perturbadas, chegou à conclusão de que a felicidade é uma ficção, o ser humano não pode ser feliz”. Se ele não pode ser feliz com a liberdade que o Naturismo pode lhe proporcionar, que é a liberdade mental, é porque não compreendeu a essência e a riqueza desse estilo de vida. Ainda não compreendeu que para se intitular como um naturista o pré-requisito não é somente com relação à nudez, mas também o respeito pelo espaço do outro.

Se o Naturismo coloca o homem integrado com a natureza, também o deixa não fragmentado, seu olhar para com o outro será como se visse no espelho. Os espaços individuais deverão ser constantemente respeitados e a vida se manifestaria harmoniosamente. E se tivermos a percepção que essas mudanças são realmente possíveis iríamos comemorar o dia o Naturismo junto com o Dia Mundial da Terra, o Dia Mundial da Água, Dia do Amigo, e muitos outros dias mais.

Vejo que podemos ser agentes de profundas transformações, assim sempre faço a sugestão aos grupos naturistas dedicarem uma pausa nas atividades para realizarem momentos de reflexão sobre o Naturismo em muitos dos seus contextos. Tenho a convicção de que tal prática aliada às realizações de palestras, apresentações teatrais, leituras e debates deveria constituir uma prática constante para o crescimento individual e grupal.

O Naturismo brasileiro ainda está de fraldas, todos nós podemos nos doar um pouco mais para que essa criança tenha dignidade. A própria sociedade irá requerer um dia para que o Naturismo seja lembrado do ser humano no seu estado natural, livre dos preconceitos e em paz com seus semelhantes.


Evandro Telles






sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A VOZ DO NATURISMO QUE NÃO CONSEGUE SER OUVIDA


Em 2009 quando lancei o livro “Verdades Que as Roupas Escondem” , na orelha da capa está assim escrito: “...que o Naturismo precisa ser analisado sob uma nova ótica e estudado à luz de novos valores sociais. Nesses novos valores incluímos a reintegração do homem como parte da natureza, que nunca foi tão destruída como está sendo nos últimos 50 anos. Tivemos essa postura por não nos vermos como parte da natureza.”

Atualmente estamos presenciando mais um desastre ecológico de grandes proporções e sem prazo para recuperar o Rio Doce, com extensão de 853 km que banha os estados de Minas e Espírito Santo, virou um mar de lama espalhando a morte por onde passa.  Segundo alguns biólogos, o que está visível é um problema pequeno diante da previsível quebra da cadeia alimentar.

O poema de Carlos Drummond de Andrade parecia prever o desastre com o “LIRA ITABIRANA”:
I
O Rio? É Doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga
II
Entre estatais
E Multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
 IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Só não é sem berro, há muito tempo que o Naturismo tem mostrado a importância da harmonia com a natureza com os corpos despidos de preconceitos, de valores não consumistas que redundam na exaustão dos recursos naturais. Indicadores  econômicos só encontram o lado positivo no crescimento do volume de produção e na produtividade do indivíduo. Conceitos e valores como esses começam a ser questionados se representam realmente desenvolvimento, uma vez que esses fatores são medidos em função do dinheiro e não da qualidade de vida da população e têm proporcionado catástrofes da magnitude que estamos presenciando.

Charles Eisenstein, um americano de 47 anos, formado em matemática e filosofia e autor de “Economia Sagrada” onde ele diz que olhamos para a natureza com um olhar de quem apenas vê um monte de coisas e que isso nos deixa muito solitários e com muitas necessidades básicas para satisfazer. Vale a pena ver o vídeo que está disponível na internet onde ele mostra o homem tentando dominar os outros e a natureza.

Eisenstein alerta agora, em 2015,  como somos separados da natureza e da comunidade. Sim, o que o Naturismo já vem propondo de uma forma muito mais simples desde 1903. Criamos uma cultura compromissada com a competição e não com a cooperação, obsessiva pela posse e domínio não só das riquezas naturais, mas também de outro ser humano. Estamos sentindo no próprio corpo as violências que cometemos contra a natureza, e há quanto tempo o Naturismo vem mostrando que somos a própria natureza consciente? Pode ser que seja utópico tentar reintegrar o homem à natureza, nua tal como ela é; pode ser uma voz não ouvida, mas não consigo deixar de expressá-la.

Olhando a figura no início desse texto penso: Será que a espécie humana terá algum dia paz por ter sido tão agressiva? Dúvida que irá permanecer ainda muito tempo.

“Quando olhei a terra ardendo, como uma fogueira de São João. Eu perguntei a Deus do céu, porque tamanha judiação?” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

 

Evandro Telles
27/11/15